Adolescência

Eu sou Lucia Martins, mãe esposa e profissional .

E hoje sei como é ser mãe de adolescentes ,por isso hoje posso falar sobre o assunto como alguém que tem uma experiência, e criar não são todos iguais, digo aqui a minha experiência e oque aprendemos estudando.

Como ser mãe de um adolescente

Ser mãe de um adolescente é entrar em uma fase completamente diferente da maternidade. É uma fase em que muitas coisas começam a mudar ao mesmo tempo: o corpo, os pensamentos, os sentimentos, os relacionamentos, a maneira de enxergar a família e, principalmente, a necessidade de construir uma identidade própria.

Eu sou mãe de três filhos, hoje adultos, mas também vivi com eles a fase da adolescência. E, olhando para trás, percebo que ser mãe de adolescente não é simplesmente continuar fazendo aquilo que fazíamos quando eles eram crianças. A criança precisa de mais direção, mais proteção e mais presença direta. O adolescente começa a precisar de espaço, de confiança e de oportunidades para aprender a tomar suas próprias decisões. E é justamente aí que muitas mães se sentem perdidas.

Nem sempre vamos ter razão. Essa talvez seja uma das coisas mais difíceis de aceitar como mãe. Durante muitos anos, somos nós que ensinamos, orientamos, decidimos, protegemos e mostramos o caminho. Quando nossos filhos chegam à adolescência, eles começam a questionar aquilo que antes simplesmente aceitavam. Questionam nossas regras, nossas opiniões, nossos valores e até a maneira como enxergamos o mundo.

Isso não significa necessariamente que eles deixaram de nos amar ou que estão contra nós. Muitas vezes, significa que estão tentando descobrir quem são.

O adolescente está vivendo uma fase de construção. Ele ainda não é um adulto, mas também já não se enxerga como criança. Quer independência, mas ainda precisa de proteção. Quer tomar decisões sozinho, mas ainda não possui toda a experiência necessária para compreender as consequências de cada escolha. Pode parecer contraditório, e realmente é. Por isso, acompanhar um adolescente exige da mãe muito mais do que simplesmente dar ordens.

É preciso conhecer essa fase.

Precisamos entender como os adolescentes pensam, como se comunicam, o que valorizam, quais são suas inseguranças, quais são as influências que recebem dos amigos e da internet, como lidam com a própria imagem, com a necessidade de pertencer a um grupo e com as mudanças emocionais que acontecem nessa idade.

Hoje, a adolescência também acontece dentro das telas. O mundo do adolescente não termina quando ele fecha a porta do quarto. Existe um universo inteiro acontecendo no celular, nas redes sociais, nos grupos de mensagens, nos vídeos que assiste, nas pessoas que acompanha e nas comparações que faz. Muitas vezes, os pais não conhecem esse universo, e justamente por isso podem não perceber o que está influenciando seus filhos.

Conhecer não significa invadir.

Acompanhar não significa controlar cada passo.

E estabelecer limites não significa deixar de respeitar a individualidade do filho.

Existe uma diferença enorme entre vigiar e estar presente. Entre querer controlar e querer compreender. Entre simplesmente dizer “não” e explicar por que determinada situação pode ser perigosa. Entre exigir obediência e ensinar responsabilidade.

A adolescência exige presença.

Não necessariamente uma presença que esteja o tempo inteiro ao lado do filho, mas uma presença emocional. O adolescente precisa saber que existe alguém para quem ele pode voltar quando alguma coisa der errado. Precisa saber que pode conversar sem ser imediatamente humilhado, ridicularizado ou tratado como se todos os seus problemas fossem bobagens.

Isso não significa que a mãe deve aceitar tudo.

Existem limites que precisam ser estabelecidos. Existem comportamentos que precisam ser corrigidos. Existem situações em que os pais precisam dizer não, mesmo sabendo que o filho ficará bravo. Amar também é colocar limites, ensinar consequências e proteger quando o adolescente ainda não consegue perceber determinados riscos.

Mas limite sem diálogo pode virar apenas uma disputa de poder.

E é justamente nessa fase que muitas famílias começam a se afastar. O filho se fecha, a mãe insiste, o filho responde mal, a mãe aumenta o tom, o adolescente se tranca no quarto e, pouco a pouco, a comunicação vai desaparecendo.

Por isso, talvez uma das maiores tarefas de uma mãe de adolescente seja aprender a escolher suas batalhas.

Nem toda diferença de opinião precisa virar uma guerra. Nem toda resposta atravessada precisa terminar em uma grande discussão. Nem tudo precisa ser resolvido naquele exato momento. Algumas situações precisam de firmeza, outras precisam de conversa e algumas precisam apenas de tempo.

Ser mãe de adolescente também é aprender a ouvir.

Ouvir não significa concordar com tudo. Significa permitir que o filho consiga explicar o que está pensando antes que a mãe apresente sua própria conclusão. Às vezes, por trás de uma resposta grosseira existe medo. Por trás de um isolamento existe tristeza. Por trás de uma mudança de comportamento pode existir alguma dificuldade que o adolescente ainda não sabe como explicar.

É claro que nem todo comportamento diferente significa que existe um grande problema. A adolescência possui suas próprias oscilações. Mas conhecer o filho permite perceber quando uma mudança é apenas parte da fase e quando algo merece mais atenção.

Por isso, não precisamos criar filhos adolescentes perfeitos. Precisamos ajudá-los a se tornarem adultos capazes de pensar, escolher, assumir responsabilidades, reconhecer erros, pedir ajuda e compreender que suas atitudes possuem consequências.

A mãe também precisa entender que seu filho não será uma cópia dela.

Ele terá seus próprios gostos, pensamentos, sonhos, amizades e escolhas. Algumas serão exatamente aquilo que ela imaginou. Outras serão completamente diferentes. E parte da maternidade consiste em aprender a acompanhar esse processo sem perder a capacidade de orientar.

Talvez a grande pergunta não seja apenas “como fazer meu filho me obedecer?”, mas também “como posso ajudá-lo a aprender a caminhar sozinho sem deixar de saber que estou aqui?”.

Essa mudança de pergunta transforma muita coisa.

Porque criar um adolescente é, aos poucos, preparar alguém para a vida adulta. É ensinar liberdade com responsabilidade, autonomia com limites, escolhas com consequências e independência sem abandono.

E nós, mães, também precisamos aprender durante esse processo.

Não existe manual perfeito para criar filhos. Cada adolescente é único, cada família possui sua história e cada mãe carrega seus próprios medos, experiências e aprendizados. O que funcionou com um filho pode não funcionar com outro. E aquilo que acreditávamos ser a melhor maneira de educar alguns anos atrás pode precisar ser repensado diante de uma nova realidade.

Por isso, conhecer a adolescência é também conhecer melhor nossos próprios filhos.

É olhar para eles não apenas como aqueles meninos e meninas que um dia seguramos no colo, mas como pessoas que estão começando a construir a própria história.

E talvez seja justamente nessa fase que nossos filhos mais precisem de uma mãe que saiba dizer:

“Eu não concordo com você, mas quero entender o que você está pensando.”

“Eu vou colocar esse limite porque é minha responsabilidade proteger você.”

“Você pode errar, mas também vai precisar aprender com as consequências.”

“Eu posso não saber todas as respostas, mas podemos procurar juntos.”

E, principalmente:

“Mesmo quando você crescer e seguir o seu próprio caminho, você nunca vai deixar de ter um lugar seguro para voltar.”

Ser mãe de adolescente é aprender a caminhar alguns passos atrás, sem desaparecer. É soltar um pouco as mãos, mas continuar presente. É permitir que eles experimentem a própria voz, sem deixar de oferecer direção.

Porque nossos filhos crescem.

E uma das maiores provas de amor da maternidade talvez seja justamente prepará-los para um dia não precisarem mais que decidamos tudo por eles.

Experiência com meu filhos

Quando meu filho mais velho chegou à adolescência, eu me lembro de pensar: “E agora, como vai ser?”

Eu estava totalmente perdida.

Até aquele momento, eu sabia como cuidar de uma criança. Sabia proteger, ensinar, dar banho, acompanhar a escola, colocar limites e estar presente. Mas, de repente, aquele menino começou a crescer, a mudar, a questionar e a querer tomar suas próprias decisões. Eu percebi que estava que estava entrando em uma fase da maternidade para a qual ninguém tinha me dado um manual.

Eu tinha três filhos, e cada um deles passou pela adolescência de uma maneira diferente. E foi justamente quando meu filho mais velho entrou nessa fase que eu percebi que precisava aprender.

Mas aprender de verdade.

Eu não queria simplesmente repetir aquilo que tinha aprendido dentro da minha própria família. Uma coisa eu tinha decidido: eu não queria ser com meus filhos aquilo que meus pais foram comigo.

Eu queria fazer diferente.

E, para fazer diferente, eu precisava entender.

Então comecei a estudar a adolescência. E quando digo estudar, digo estudar mesmo. Li livros, procurei matérias em revistas, pesquisei na internet, procurei artigos e informações em diferentes lugares. Fui atrás de conhecimento até em bibliotecas. Eu queria entender o que acontecia naquela fase, por que meu filho estava mudando, por que determinadas atitudes apareciam e, principalmente, queria aprender a me relacionar com ele sem transformar nossa casa em um campo de batalha.Foi assim que comecei a perceber que criar um adolescente não significa simplesmente tentar controlar o comportamento dele.

É preciso compreender quem está por trás daquele comportamento.

A adolescência é uma fase de grandes transformações. O jovem está descobrindo sua identidade, tentando entender quem é, onde pertence e que tipo de adulto quer se tornar. Ao mesmo tempo em que deseja independência, ainda precisa de orientação. Quer liberdade, mas ainda está aprendendo a lidar com as consequências das próprias escolhas.

E isso pode aparecer como rebeldia.

A rebeldia

Quando pensamos em um adolescente rebelde, muitas vezes imaginamos alguém que simplesmente não quer obedecer.

Mas será que é sempre isso?

Nem sempre.

Questionar faz parte do crescimento. O adolescente começa a perceber que os pais não são donos de todas as respostas. Ele começa a construir suas próprias opiniões e, muitas vezes, vai testar limites justamente para descobrir até onde pode ir.

Isso não significa que devemos aceitar qualquer comportamento.

Respeito continua sendo respeito. Existem regras, responsabilidades e limites que precisam existir dentro de uma família.

Mas existe uma diferença entre estabelecer um limite e transformar cada situação em uma disputa de poder.

Uma mãe pode dizer “não” sem gritar.

Pode corrigir sem humilhar.

Pode discordar sem diminuir.

Pode estabelecer uma consequência sem transformar o filho em inimigo.

E talvez esse seja um dos maiores aprendizados da maternidade durante a adolescência: nem toda batalha precisa ser vencida. Algumas precisam apenas ser compreendidas.

As amizades

Outro assunto que merece muita atenção são as amizades.

Na adolescência, os amigos passam a ocupar um espaço enorme na vida do jovem. A necessidade de pertencer a um grupo pode influenciar roupas, linguagem, comportamentos, interesses e até decisões.

Por isso, conhecer os amigos dos nossos filhos é importante.

Não para interrogá-los ou tratar todos os amigos como uma ameaça, mas para saber com quem nossos filhos convivem.

Precisamos observar.

Quem são essas pessoas?

Como tratam umas às outras?

Existe respeito?

Existe pressão para fazer coisas que o adolescente não quer?

Ele consegue dizer não?

Ele mudou muito depois de começar determinada amizade?

A presença dos amigos pode ser maravilhosa e importante para o desenvolvimento social. Mas também pode trazer situações de pressão, principalmente quando o adolescente ainda está aprendendo a sustentar suas próprias escolhas.

Autor- Lucia Martins

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