Redes sociais

E existe uma diferença importante entre a adolescência de muitos pais e a adolescência dos filhos de hoje: as redes sociais.

O adolescente não vive apenas aquilo que acontece dentro de casa, na escola ou na rua. Existe um mundo inteiro dentro do celular.

Ele vê outras pessoas, compara corpos, roupas, relacionamentos, viagens, dinheiro, aparência e estilos de vida. Pode receber mensagens de desconhecidos, participar de grupos, assistir conteúdos inadequados e sofrer pressão para se apresentar de determinada maneira.

Por isso, acompanhar o uso da internet também faz parte da maternidade.

Mas acompanhar não significa necessariamente pegar o celular escondido ou transformar a relação em uma investigação permanente.

Significa conversar.

Ensinar sobre privacidade.

Ensinar que nem todo mundo na internet é quem diz ser.

Ensinar que uma foto enviada pode sair do controle.

Ensinar que aquilo que aparece nas redes sociais é apenas uma parte da realidade.

Ensinar que comentários, curtidas e número de seguidores não determinam o valor de uma pessoa.

E, principalmente, criar confiança suficiente para que o adolescente procure os pais quando alguma coisa acontecer.

Namoro

O namoro também pode aparecer nessa fase, e muitas famílias entram em conflito justamente porque não sabem como lidar com isso.

Proibir que o adolescente tenha sentimentos não faz com que eles desapareçam.

O que os pais podem fazer é ensinar.

Conversar sobre respeito, limites, responsabilidade, consentimento, exposição nas redes sociais, pressão e consequências. Ensinar que gostar de alguém não significa aceitar qualquer comportamento dessa pessoa.

Também é importante lembrar que o primeiro relacionamento pode ser muito intenso para um adolescente. Para nós, adultos, algumas situações podem parecer pequenas. Para ele, podem representar o fim do mundo.

Isso não significa tratar tudo como drama.

Significa lembrar que estamos falando com alguém que ainda está aprendendo a lidar com as próprias emoções.

Limites

E aqui existe uma parte fundamental: limite.

Ser uma mãe compreensiva não significa ser uma mãe que permite tudo.

Filhos precisam de limites.

Precisam saber que existem horários, responsabilidades, regras de convivência e consequências para determinadas escolhas.

Mas o limite funciona melhor quando o adolescente entende o motivo.

“Porque eu sou sua mãe e acabou” pode até encerrar uma discussão naquele momento, mas não necessariamente ensina responsabilidade.

Quando possível, é muito mais educativo explicar:

“Eu não estou permitindo isso porque existe um risco.”

“Essa é a consequência porque essa responsabilidade era sua.”

“Você pode não concordar comigo, mas essa regra existe dentro desta casa.”

O objetivo não é criar um filho que simplesmente obedece enquanto está sendo observado.

O objetivo é ajudá-lo a desenvolver consciência para tomar decisões quando ninguém estiver olhando.

Como conversar sem gritar

Essa talvez seja uma das maiores dificuldades.

Quando o adolescente responde mal, muitas vezes a mãe responde mais alto. O adolescente aumenta o tom, a mãe aumenta novamente, e quando percebem os dois estão gritando.

E ninguém está mais ouvindo ninguém.

Aprendi que algumas conversas não precisam acontecer no auge da raiva.

Às vezes é melhor dizer:

“Agora nós dois estamos nervosos. Vamos conversar depois.”

Isso não é fugir da conversa.

É impedir que uma conversa importante se transforme em uma guerra.

Também precisamos aprender a ouvir antes de responder.

Perguntar:

“Por que você pensa assim?”

“O que aconteceu?”

“Como você se sentiu?”

“Você quer me contar o que está acontecendo?”

Essas perguntas podem abrir portas que um simples “você está errado” fecha imediatamente.

E ouvir não significa concordar.

Podemos ouvir e continuar discordando.

Podemos compreender o sentimento sem aprovar o comportamento.

Podemos acolher o filho e, ao mesmo tempo, manter um limite.

Quando o comportamento merece atenção?

Também precisamos aprender a diferenciar as mudanças naturais da adolescência de sinais que merecem uma atenção maior.

Nem todo adolescente que fica mais quieto está com um problema. Nem toda irritação significa que existe algo grave. A adolescência possui oscilações, mudanças de humor e necessidade de privacidade.

Mas algumas mudanças persistentes ou muito intensas merecem ser observadas.

Um isolamento muito acentuado, perda importante de interesse por coisas que antes gostava, queda significativa no rendimento escolar, mudanças bruscas de comportamento, alterações importantes no sono ou na alimentação, medo intenso, sofrimento persistente, situações de violência, uso de substâncias, comportamentos de risco ou falas relacionadas à morte ou à vontade de desaparecer não devem ser simplesmente tratados como “fase”.

Nessas situações, a família precisa se aproximar, conversar e, quando necessário, buscar ajuda profissional.

O mais importante é não esperar que o adolescente peça ajuda de uma maneira perfeita.

Às vezes, ele não sabe dizer “eu estou sofrendo”.

Ele demonstra através do comportamento.

Afinal, como ser mãe de um adolescente?

Talvez a resposta não seja tentar encontrar uma fórmula perfeita.

É aprender.

Aprender sobre adolescência.

Aprender sobre nossos filhos.

Aprender sobre nós mesmas.

Porque nossos filhos não chegam à adolescência trazendo apenas mudanças no corpo e no comportamento. Eles trazem perguntas, inseguranças, desejos, medos, descobertas e uma vontade cada vez maior de construir a própria identidade.

E nós, mães, precisamos acompanhar essa transformação.

Eu não fui uma mãe perfeita. Nenhuma mãe é.

Mas uma coisa eu procurei fazer: quando percebi que não sabia, fui estudar.

Eu queria compreender antes de simplesmente julgar. Queria conhecer antes de condenar. Queria aprender a conversar antes de gritar. Queria estabelecer limites sem destruir a confiança. E queria que meus filhos soubessem que, mesmo quando eu discordasse deles, eu continuaria sendo um lugar onde eles poderiam encontrar acolhimento.

Hoje, olhando para trás e vendo meus três filhos adultos, consigo perceber que aquela mãe que um dia pensou “e agora, como vai ser?” também estava começando uma nova fase.

A adolescência não transformou apenas meus filhos.

Ela também me transformou como mãe.

E talvez seja isso que precisamos compreender: criar um adolescente não é apenas ensinar alguém a crescer.

É também aprender a crescer junto.

Limites, regras da casa e respeito: até onde vai a autoridade dos pais?

Eu me lembro de uma conversa que tive com meu filho quando ele era adolescente. Um dia, ele me disse:

“Quando eu fizer 18 anos, vou poder fazer o que eu quiser.”

Eu olhei para ele e respondi:

“Tudo bem. Quando você tiver 18 anos, você será maior de idade e terá que responder pelas suas próprias escolhas. Mas enquanto você morar na minha casa, existem as regras da minha casa. Você pode ter 18, 30 ou 40 anos. Se estiver morando aqui, vai precisar respeitar as regras deste lugar.”

E eu realmente penso assim.

Mas existe uma coisa muito importante nessa frase que precisamos entender: ter regras dentro de casa não significa querer controlar a vida do filho para sempre.

Quando ele se torna adulto, a relação muda.

Ele passa a ser responsável pela própria vida, pelas próprias escolhas e pelas consequências delas. Porém, se escolher continuar morando na casa dos pais, precisa entender que está vivendo dentro de uma família, e uma casa compartilhada precisa ter regras de convivência.

Isso vale para adolescentes e também para adultos

Autor- Lucia Martins

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