Irmãos podem brigar.
Isso faz parte da convivência.
Eles podem discordar, sentir ciúmes, ficar irritados uns com os outros e ter opiniões completamente diferentes.
Mas existe uma diferença entre uma discussão e uma agressão.
Dentro de casa, precisamos ensinar que sentir raiva é permitido, mas machucar alguém não é.
O adolescente pode estar com raiva.
Pode estar frustrado.
Pode não gostar do irmão naquele momento.
Mas precisa aprender que seus sentimentos não dão autorização para agredir, humilhar ou ameaçar outra pessoa.
Essa é uma aprendizagem importante para a vida.
Como conversar sem gritar
Essa talvez seja uma das maiores dificuldades para muitos pais.
O adolescente responde.
A mãe aumenta a voz.
O adolescente responde mais alto.
A mãe grita.
E, quando percebem, ninguém está mais ouvindo ninguém.
Por isso, uma das coisas que precisei aprender foi que nem toda conversa precisa ser resolvida naquele momento.
Às vezes, quando estamos muito nervosos, o melhor é interromper a discussão e dizer:
“Agora estamos muito nervosos. Vamos conversar quando estivermos mais calmos.”
Isso não significa desistir da conversa.
Significa evitar que uma situação seja piorada pela raiva.
Também precisamos aprender a ouvir.
Antes de responder, podemos perguntar:
“O que aconteceu?”
“Por que você está pensando dessa maneira?”
“Como você se sentiu?”
“Você quer me contar alguma coisa?”
Ouvir não significa concordar.
Uma mãe pode ouvir o filho e continuar dizendo não.
Pode compreender o sentimento e não aceitar o comportamento.
Pode acolher e colocar limite ao mesmo tempo.
Quando as amizades começam a preocupar
As amizades passam a ter uma importância muito grande durante a adolescência.
O adolescente quer pertencer.
Quer ser aceito.
Quer fazer parte de um grupo.
E isso pode ser positivo, porque as amizades também ajudam no desenvolvimento social. Mas também pode existir pressão.
Por isso, precisamos conhecer os amigos dos nossos filhos.
Não significa interrogar.
Não significa tratar toda amizade como uma ameaça.
Significa estar presente o suficiente para saber quem está fazendo parte da vida deles.
Precisamos observar mudanças.
Se o adolescente começa a mudar completamente depois de determinada amizade, se passa a esconder tudo, abandona atividades que gostava ou começa a apresentar comportamentos que antes não existiam, precisamos prestar atenção.
Não significa automaticamente que o amigo seja culpado.
Significa que alguma coisa mudou e merece ser compreendida.
Redes sociais fazem parte da adolescência atual
Os adolescentes de hoje vivem uma realidade diferente daquela que muitos de nós vivemos.
Além da escola, da família e dos amigos, existe um mundo inteiro dentro do celular.
Eles podem acompanhar pessoas que nunca conheceram, receber mensagens, participar de grupos, assistir vídeos, comparar a própria aparência com outras pessoas e sentir uma pressão enorme para mostrar uma determinada imagem de si mesmos.
Por isso, ensinar o adolescente a usar a internet também faz parte da educação.
Precisamos conversar sobre privacidade, exposição, golpes, pessoas desconhecidas, fotos, vídeos, comentários, cyberbullying e sobre o fato de que nem tudo que aparece na internet representa a realidade.
Também precisamos falar sobre comparação.
O adolescente pode olhar para alguém na internet e pensar que aquela pessoa tem uma vida perfeita.
Mas ele está vendo apenas uma parte daquela vida.
Precisamos ajudá-lo a entender isso.
Namoro também precisa ser conversado
Quando o adolescente começa a namorar, muitos pais ficam assustados.
É natural.
Mas proibir sentimentos não faz com que eles desapareçam.
O que podemos fazer é ensinar.
Ensinar sobre respeito.
Ensinar sobre limites.
Ensinar que gostar de alguém não significa aceitar tudo.
Ensinar que ciúme excessivo não é prova de amor.
Ensinar que ninguém tem direito de controlar o outro.
Ensinar que ninguém deve ser pressionado a fazer algo que não deseja.
E ensinar também que relacionamentos podem terminar e que sofrer por um término não significa que a vida acabou.
O adolescente precisa aprender a lidar com sentimentos, e os pais podem ser uma referência importante nesse processo.
Quando devemos prestar mais atenção?
Nem toda mudança de comportamento significa que existe um problema.
O adolescente pode querer ficar mais tempo no quarto.
Pode querer mais privacidade.
Pode ficar irritado com facilidade.
Pode mudar seus interesses.
Tudo isso pode fazer parte do processo de crescimento.
Mas existem mudanças que precisam ser observadas com mais cuidado.
Quando um adolescente passa a se isolar intensamente, perde o interesse por coisas que antes gostava, apresenta uma mudança muito grande no comportamento, deixa de cuidar de si, tem alterações importantes no sono ou na alimentação, apresenta queda significativa no rendimento escolar, começa a se envolver em comportamentos de risco ou demonstra sofrimento persistente, os pais precisam se aproximar
E quando aparecem falas sobre morte, vontade de desaparecer, automutilação ou outras situações que indiquem risco, isso não deve ser ignorado.
Mas ele está vendo apenas uma parte daquela vida.
Precisamos ajudá-lo a entender isso.er tratado simplesmente como “fase” ou “drama”.
É importante conversar, permanecer próximo e buscar ajuda profissional quando necessário.
Autor- Lucia Martins
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