Você não precisa continuar vivendo no automático
Talvez esteja na hora de parar por alguns minutos.
Não para abandonar suas responsabilidades.
Não para deixar de amar sua família.
Mas para lembrar que você também existe.
Você pode começar pequeno.
Tomar um café com calma.
Voltar a ler um livro.
Caminhar.
Arrumar o cabelo porque você quer se sentir bonita.
Vestir uma roupa que gosta.
Ou simplesmente sentar em silêncio e perguntar a si mesma:
“O que eu estou sentindo?”
Pode parecer pouco.
Mas, para uma mulher que passou anos colocando todo mundo na frente, olhar para si pode ser um grande começo.
Comece pequeno. Mas comece.
Foi difícil começar a fazer alguma coisa por mim.
Eu comecei pequeno, mas comecei.
Comecei arrumando a minha cama, abrindo as janelas e deixando o sol entrar. Tomei um banho demorado e coloquei a minha melhor roupa.
Não era para ninguém.
Era para mim.
Eu queria me olhar no espelho e me sentir bem comigo mesma.
Durante muito tempo, eu fui uma mulher que não tinha coragem nem de tomar um sorvete sozinha.
E, no início, realmente não foi fácil.
Eu me lembro da primeira vez.
Comprei uma casquinha de sorvete e fui me sentar em um banco na praça. Fiquei ali, segurando meu sorvete, sem saber direito o que fazer.
Parecia estranho estar sozinha.
O sorvete começou a derreter, escorreu pelas minhas mãos e acabou sujando toda a minha roupa.
E eu me lembro de ter rido.
Ri porque, naquele momento, me senti perdida como uma criança que está aprendendo alguma coisa pela primeira vez.
Mas eu estava ali.
Sozinha.
E estava tudo bem.
Na primeira vez foi difícil.
Mas eu voltei.
E depois voltei outra vez.
E outra.
Até que aquilo deixou de ser estranho.
Hoje, tomar um sorvete ou tomar um café sozinha se tornou um ritual para mim.
Um momento em que não preciso esperar ninguém.
Não preciso combinar com ninguém.
Não preciso pedir companhia.
Eu simplesmente vou.
E descobri uma coisa muito importante:

Uma mulher que se sente inteira não precisa de outra pessoa para completá-la.
Ela pode amar.
Pode compartilhar a vida.
Pode desejar companhia.
Pode construir relacionamentos.
Mas ela não precisa se abandonar para ter alguém ao seu lado.
Ser forte não significa suportar tudo
Existe uma diferença enorme entre ser forte e viver suportando tudo.
Ser forte também é reconhecer quando alguma coisa está machucando.
É estabelecer limites.
É dizer “não” sem precisar se justificar o tempo inteiro.
É pedir ajuda.
É admitir que você não está bem.
É entender que cuidar de si não é egoísmo.
Você não precisa esperar adoecer, perder alguém, chegar ao limite ou não aguentar mais para perceber que sua própria vida também merece atenção.
Talvez você não esteja cansada da vida
Talvez você esteja cansada da mulher que precisou ser durante tantos anos.
A mulher que não podia reclamar.
A mulher que precisava resolver tudo.
A mulher que engolia o choro.
A mulher que dizia: “Deixa que eu faço.”
A mulher que sempre estava disponível.
Talvez essa mulher tenha sido necessária para você chegar até aqui.
Mas isso não significa que ela precise continuar vivendo da mesma maneira.
Você ainda pode mudar.
Ainda pode descobrir novos desejos.
Ainda pode fazer planos.
Ainda pode aprender.
Ainda pode recomeçar.
A sua história não termina porque você chegou aos 40, 50, 60 anos ou mais.
Talvez seja justamente agora que você comece a escrever uma parte da sua história que, durante muito tempo, ficou esquecida.
E, dessa vez, talvez você possa colocar o seu nome no centro dela.
Você também importa.
Então, se você está se perguntando por onde começar, não pense que precisa transformar sua vida inteira de uma vez.
Comece pequeno.
Arrume sua cama.
Abra as janelas.
Tome um banho demorado.
Vista uma roupa que faça você se sentir bem.
Faça aquele café com calma.
Saia para caminhar.
Compre um sorvete.
Sente-se em algum lugar e fique alguns minutos na sua própria companhia.
No começo pode parecer estranho.
Talvez você nem saiba o que fazer.
Mas continue.
Um passo de cada vez.
Você pode se surpreender ao descobrir que a sua própria companhia pode ser um lugar muito bonito para estar.
E talvez, depois de tanto tempo vivendo para os outros, você finalmente comece a descobrir uma mulher que estava aí o tempo todo.
Você.
Ser mãe também é aprender a lidar com os desafios
Quero conversar com você, mãe, de mulher para mulher.
Ser mãe é uma das maiores experiências da vida, mas também é uma jornada cheia de desafios.
E eu não estou dizendo que você precisa estar preparada para tudo.
A verdade é que nenhuma mãe está preparada para tudo.
As coisas simplesmente vão acontecendo.
Os filhos crescem, mudam, apresentam novas necessidades e, junto com cada fase, chegam novos desafios.
Por isso, se você está vivendo uma fase difícil com seus filhos, saiba que você não está sozinha.
Eu também passei por muitas situações que me deixaram estressada, cansada e, algumas vezes, sem saber exatamente o que fazer.
E hoje, olhando para trás, reconheço que existem coisas que eu faria diferente.
Mas também reconheço que fui aprendendo no caminho.
Três filhos e três pares de óculos
Vou contar uma situação que, na época, me deixava completamente estressada.
O pai dos meus filhos tem miopia e os três também têm. Então, desde pequenos, os três precisaram usar óculos.
Agora imagine três crianças pequenas usando óculos!
Era um verdadeiro caos.
Meu filho chegou a quebrar os óculos no primeiro dia em que foi para a escolinha usando o novo par.
E não foi uma única vez.
Comprava.
Quebrava.
Comprava novamente.
E quebrava de novo.
E não eram óculos simples. As lentes eram caras e eles precisavam de cuidados especiais.
Aquilo me deixava muito nervosa.
Até que um dia eu entendi que precisava mudar a maneira de lidar com a situação.
Em vez de pensar apenas na estética, comecei a procurar óculos mais resistentes e adequados para crianças.
Eu precisava de algo que funcionasse na vida real.
Eles ainda eram pequenos e não tinham maturidade para cuidar dos óculos como um adulto cuidaria.
Foi aí que percebi uma coisa que a maternidade ensina muitas vezes:
nem sempre precisamos controlar o problema; às vezes precisamos encontrar uma maneira melhor de conviver com ele.
Com o tempo, eles cresceram e aprenderam a cuidar melhor das próprias coisas.
A rotina da escola também exigia disciplina
Sempre coloquei meus filhos na escola no período da manhã.
Eu gostava da ideia de eles acordarem cedo, terem uma rotina e começarem o dia com disposição.
Mas levantar três crianças cedo não era nada fácil!
Era um verdadeiro “Deus nos acuda”.
Então estabeleci uma regra muito clara:
às 21 horas, todos deveriam estar deitados.
E eu também ia dormir.
Porque não adianta querer que os filhos tenham uma rotina se os adultos da casa vivem dormindo tarde e esperam que as crianças acordem cedo no dia seguinte.
Durante a semana, a rotina era rotina mesmo.
É claro que existiam exceções nos finais de semana e em ocasiões especiais.
Mas, no dia a dia, eu procurava manter aquele horário.
E isso ajudava muito.
“Por que eu tenho que ir para a escola se meu amigo não vai?”
Meu filho, certa vez, não queria ir para a escola.
Ele dizia:
“Por que eu preciso estudar se meu amigo faltou?”
Eu respondi:
“Porque você não é todo mundo.”
Ele não gostou muito da resposta.
Então, um dia, inventei uma história para ele.
Contei sobre um menino que resolveu dormir e, quando acordou, seus pais já tinham saído. Ele ficou sozinho e as pessoas que ele via na rua nem conheciam seus pais.
Meu filho ficou pensativo.
E me disse:
“Eu não quero mais ficar dormindo.”
Depois disso, nunca mais ficou insistindo para faltar à escola.
Mas havia uma exceção.
No dia do aniversário deles, eles podiam faltar.
Esse era um dia especial.
Era um dia em que eu fazia questão de ficar com cada um deles, fazer alguma coisa juntos e criar uma memória.
Porque a vida dos nossos filhos não pode ser feita somente de cobrança.
Eles também precisam de momentos felizes.
Quando minha filha dizia que estava doente
Minha filha caçula era muito apegada a mim.
Durante uma época, ela chorava na pré-escola e também nos primeiros anos do ensino fundamental.
Na pré-escola, eu ainda permitia que ela voltasse para casa quando chorava muito.
Mas chegou uma hora em que percebi que precisava mudar.
Ela começou a dizer que estava com dor de cabeça, dor de barriga e outras coisas quando não queria ficar na escola.
E quando chegava em casa, queria assistir aos filmes.
Naquela época, estávamos na fase dos DVDs.
Eles tinham muitos DVDs e ela sempre queria assistir a um filme novo.
Comecei a perceber um padrão.
As dores apareciam principalmente nas segundas-feiras, justamente depois que ela ganhava DVDs novos.
Então conversei com a professora.
Falei:
“Agora eu não vou mais buscá-la.”
A professora até perguntou:
“Será? E se ela estiver realmente doente?”
Mas eu conhecia minha filha.
Não estou dizendo que devemos ignorar quando uma criança está doente.
Muito pelo contrário.
Cada mãe precisa conhecer seu filho e observar os sinais.
Mas naquele momento eu percebi que não era uma doença.
Era uma forma de conseguir voltar para casa.
E eu mantive minha decisão.
Não fui mais buscá-la.
E as dores desapareceram.
Hoje, já adulta, ela mesma me diz que aquela foi uma das melhores atitudes que tomei por ela.
Filhos precisam de amigos
Outra coisa que considero importante é permitir que nossos filhos tenham convivência com outras crianças.
Eu nunca fui muito de deixar meus filhos dormirem ou passarem muito tempo na casa dos amigos.
Mas eu gostava muito de receber os amigos deles em casa.
E essas visitas eram sempre memoráveis.
Eu fazia comida, doces, brincadeiras, sorteios e inventava atividades para eles.
A casa ficava cheia.
Fazia bagunça?
Claro que fazia!
Mas também fazia parte da infância.
E são essas experiências que ficam na memória.
Ajudar nos trabalhos escolares também é ensinar

Acompanhar os filhos nas tarefas escolares é outro desafio.
Mas podemos transformar isso em uma oportunidade de ensinar e também de criar momentos juntos.
Minha filha, por exemplo, precisou fazer um trabalho sobre um estádio na época da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil.
Ela era uma aluna muito dedicada e eu quis ajudá-la.
Então fizemos o estádio juntas usando materiais recicláveis.
Foi um trabalho que envolveu criatividade, paciência e participação.
E, além do resultado, ficou uma lembrança.
Porque ensinar os filhos não acontece somente quando estamos sentados diante de um caderno.
Às vezes acontece enquanto estamos recortando papelão, colando alguma coisa ou tentando descobrir como construir um estádio com aquilo que temos em casa.
Passeios também fazem parte da criação dos filhos
Não podemos esquecer que criança precisa brincar.
Precisa correr.
Precisa gastar energia.
Precisa conhecer lugares.
Um passeio no parque, um piquenique, uma tarde ao ar livre…
Essas coisas fazem bem para os filhos e também podem fazer bem para a mãe.
E existe uma vantagem que toda mãe conhece:
criança que brinca, corre e gasta energia chega em casa cansada.
E muitas vezes dorme mais cedo.
Então, de certa forma, um passeio pode ser diversão para eles e descanso para nós.
A maternidade não precisa ser apenas cobrança, tarefa, banho, comida, escola e organização.
Precisamos criar memórias também.
E você, mãe?
Quero terminar esse texto falando uma coisa que considero muito importante.
Não se esqueça de você.
Tirar um tempo para você não é egoísmo.
É necessário.
E, para mim, é quase uma regra:
seu tempo também precisa existir.
Se você tem alguém de confiança que possa ficar algumas horas com seus filhos, peça ajuda.
Se tem uma rede de apoio, use-a.
Não precisa esperar chegar ao limite para perceber que está cansada.
Você é mãe, mas continua sendo mulher.
Você precisa conversar, descansar, sair, tomar um café tranquila, caminhar, cuidar de si e simplesmente ficar um pouco sozinha.
Porque seus filhos precisam de uma mãe presente.
Mas estar presente não significa estar disponível vinte e quatro horas por dia.
A maternidade é uma jornada cheia de desafios.
Você vai errar.
Vai acertar.
Vai se estressar.
Vai chorar.
Vai olhar para trás e pensar que poderia ter feito diferente.
Eu também fiz isso.
E faço.
Mas uma coisa aprendi:
não precisamos ser mães perfeitas. Precisamos estar dispostas a aprender enquanto nossos filhos crescem.
Eles crescem.
E nós também crescemos com eles.

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